Nos últimos dias recebemos- na Netfilter, como é habitual, e-mails de mães e pais pedindo dicas. Num destes que me permito copiar aqui vai a seguinte questão:
Gostaria de saber se tem como deixar esse programa oculto no computador,não gostaria que ao iniciar o PC já aparecesse ele, gostaria que ele ficasse oculto para que só eu saiba que ele esteja no PC, tem como fazer isso? Se tiver eu vou comprar-lo porque me parece ser muito util..
Aguardo uma resposta.Muito Obrigado!
Respondo a esta mãe da seguinte forma:
Prezada Senhora,
Antes de mais nada eu agradeço seu e-mail e fico muito satisfeito pelo fato de a senhora ter esta preocupação para com seus filhos. Aliás, corrijo-me aqui, imagino que tenha filhos pelo conteúdo do e-mail, mas não a conheço pessoalmente.
Colocar um programa no computador, como o Netfilter, que restringe o acesso a sites inconvenientes é algo que é na maior parte das vezes necessário mas que suscita algumas questões por parte dos pais. Vou dividir a resposta a estas questões em faixas etárias.
Até os dez anos:
Nesta idade é o melhor momento para introduzir a cultura do uso da internet com limites. Por limites não me refiro apenas ao controle do conteúdo acessado mas também à duração de uso. As crianças, nesta faixa etária, não tem conhecimentos técnicos e muito menos uma experiência com Internet para questionar quaisquer regras introduzidas por seus pais. Nesta fase um filtro, como o Netfilter, pode ser instalado sem que se fale nada com a criança.
É importante, nesta fase, observar e limitar o tempo de uso. Recomendo também, estimular outras formas de diversão que não eletrônicas.
10 - 14 anos:
Nesta faixa etária as crianças já tem um conhecimento razoável de tecnologia que lhes permite explorar o cyber-espaço. É fundamental explicar com os argumentos que possa entender, o motivo da decisão de colocar o filtro e iniciar um diálogo que pode durar alguns anos onde se explica os temas da sexualidade para a criança. Lembre-se que caso você não explique o Google vai dar algumas respostas que podem não ser adequadas.
Acima de 14 anos:
Não é tão simples colocar um filtro nesta faixa etária e é necessário um trabalho prévio. Não penso ser produtivo instalar o programa sem o conhecimento do filho (a) ou colocar um programa que execute de maneira oculta. Nesta fase, além da crise da adolescência, existe também um sentimento de que os pais exageram os cuidados e preocupações.
Alguns adolescentes levantam o argumento de que a colocação do filtro é devido ao fato de que o pai ou a mãe não confiam nele. Outros, uma fração muito menor, admitem que acessam material inconveniente, pornografia por exemplo, mas não aceitam o fato do pai ou a mãe impedirem de continuar utilizando estes sites.
Em ambos casos não existe uma fórmula mágica. Minha sugestão no primeiro caso é de que se converse com o filho (a) para explicar que a questão não é de desconfiança para com ele, mas sim de desconfiança para com o comportamento de todo o ser humano, incluindo você mesma. Dizer ao adolescente: eu desconfio de mim mesmo, sublinhando que o desconfiar aqui vem num sentido distinto da acepção comum da palavra. Este programa tem a finalidade de proteger-nos da curiosidade, da malícia dos que produzem sites disfarçados e da nossa fraqueza. Fraqueza esta que muitas vezes faz com que façamos coisas que não queremos.
No caso do adolescente que admite ou dá sinais que não aceita o filtro porque quer ver este material, é preciso abrir um canal de diálogo franco. Note que nem sempre isto é uma tarefa fácil, já que muitas vezes esta fase da vida se caracteriza por um fechamento. Neste diálogo é preciso que o pai ou a mãe de as razões e os porquês da decisão de colocar este programa de filtragem. Caso haja conflito peça para que ele (ela) relate as suas razões, talvez por escrito, e você promete refletir no assunto. Em geral numa segunda rodada, após rebater os argumentos que ele (ela) colocou você pode comunicar sua decisão.
Boa sorte,